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Continuidade da sua empresa, você está preparando seu sucessor?

Continuidade da sua empresa, você está preparando seu sucessor?

O desejo do criador é perpetuar sua criação e o caminho para manter a continuidade dos negócios familiares é ultrapassar gerações. Para tanto, é indispensável o delineamento claro de regras de conduta corporativa, além de promover a formatação de sucessores que tenham o perfil do cargo a ser assumido, bem como, vínculo com a cultura organizacional.

É estatisticamente comprovado que não há como garantir a longevidade da organização sem a preparação dos sucessores e a adoção das práticas inerentes a governança corporativa.

Todo empreendedor que inicia um novo negócio deseja vê-lo crescer e prosperar, não estando preparado para os fatores que fazem com que milhares de empresas desapareçam ao longo dos primeiros cinco anos de vida. A tendência a não apresentar racionalidade como elemento fundamental em seus processos decisórios mantém em vigor estas estatísticas. São fatores que contribuem para tanto: gestão subjetiva, informal e empírica; práticas paternalistas; políticas de cargos e salários e contratações por confiança; e, pouca ênfase em gestão por competências ou cobrança por desempenho.

Atualmente, em um cenário de dura competitividade, as empresas precisam reformular sua gestão, ao mesmo tempo em que enfrentam um processo de sucessão, e essa dicotomia é posta a prova quando o esperado papel do profissional técnico, racional e objetivo é confundido com o papel familiar afetivo e subjetivo.

A qualificação de um sucessor não é feita no curto prazo, mas em um processo de médio para longo prazo, fruto de muita educação corporativa e assessoramento técnico competente, propositivo e comprometido com o negócio.

O sucessor precisa solidificar os conhecimentos técnicos, absorver a experiência já incorporada e, com um forte trabalho de análise de mercado, compreender a alma da empresa e os seus desafios. É um processo demorado, que precisa de dedicação dos sucessores e de disponibilidade dos fundadores que funcionaram na engrenagem como verdadeiros mentores.

O “calcanhar de Aquiles” das empresas familiares está no momento da troca do comando do fundador para a segunda geração e que tende a piorar da segunda para a terceira geração. A mortalidade que atinge muitas empresas, principalmente as de natureza familiar é alarmante e assustador. Muitos são os casos em que a extinção decorre de pura vaidade, gerando conflitos causados por disputas pelo poder.

Como requisito de continuidade saudável, os gestores devem desenvolver um planejamento de sucessão, além da preparação e da qualificação de um sucessor, sendo fundamental a inclusão de práticas de Governança Corporativa. O propósito deve ser definir estruturas hierárquicas, implantando processos e procedimentos formais e soberanos, inclusive quando se tratar de membros da família. Sendo um instrumento de profissionalização e de transparência, que permite a redução dos conflitos entre parentes. É imprescindível separar o ambiente profissional e familiar.

Alavancar a ideia de eficiência e competência provoca as discussões sobre profissionalização, sendo relevante que, para qualquer assunto e em qualquer etapa, se construa um conjunto rigoroso de regras. Quanto mais regras existirem, para o maior número imaginável de situações e condições, mais firme e consensual será a base das decisões a serem tomadas. A prática dos princípios de transparência, equidade e responsabilidade pelos resultados perante os fundadores, sócios e herdeiros ajudam a evitar consequências desagradáveis geradas por muitos conflitos típicos de empresas familiares ao longo do tempo.

Estima-se que cerca de mais de 80% das empresas enfrentem problemas dessa natureza atualmente. A boa governança corporativa proporciona aos sócios a gestão estratégica de sua empresa e a efetiva monitoração da direção executiva. A principal ferramenta que assegura o controle da propriedade sobre a gestão são as ações conduzidas pelo Conselho de Administração.

Em época de incerteza econômica, torna-se fundamental implantar condutas e ações claras, de forma a amortecer a força dos impactos negativos que possam ocorrer. Para isso, as famílias devem adotar princípios que tenham como base o bloqueio de ingerências familiares que possam acelerar a mortalidade organizacional.

Em última instância, somente haverá eficácia no processo sucessório e na condução dos negócios de família se houver profissionalização por meio das ações de transparência e Governança Corporativa, respaldados pelas ações e pelo carisma do fundador. Como o carisma não pode ser transferido, as regras que nortearão a condução dos negócios precisam ser claras e bem definidas, de maneira a perpetuar o sonho do fundador.

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Junior Brustolin
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Profissionais com experiência executiva e consultoria empresarial em diferentes áreas relacionadas ao desenvolvimento e gestão do negócio.

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